VÍDEO : JE TE RENDS TON AMOUR (Devolve-te o teu amor)
DURAÇÃO : 5m10
| Este vídeo de Mylène Farmer apareceu em 1999. |
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| Com este vídeo, Mylène, pela segunda vez da sua carreira,
submete-se à censura do CSA (Comissão que decide ou não da transmissão
de programas na televisão). Ele comporta sexo, sangue e
religião, mas essa reacção, ao ver o que a televisão apresenta às
vezes, parece-me um pouco hipócrita. Assim Mylène resolveu o caso da
censura, metendo o vídeo à venda nas papelarias, e o dinheiro recolhido
foi para a luta contra a SIDA.
No vídeo a cegueira de Mylène representa esse "quadro apertado" onde ela está presa. Ela só poderá encontrar o caminho da liberdade quando ela liberá o amor muito sufocante, e através, talvez de uma violência dolorosa mas purificada... O anel de casamento deixado no sangue simboliza esse amor que ela já não quer, e que ela entrega ao autor dos seus sofrimentos. Enfim liberada, ela pode renascer então das suas dores, enrolada em posição fetal no seu próprio sangue, levanta-se finalmente, a brancura do seu corpo nu representa a pureza reencontrada. Ela afasta-se então para a claridade. |
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A história : No parque de uma igreja, uma jovem solitária, com um vestido vermelho, avança às cegas no meio das árvores. O seu olhar, imenso e perdida, revela a sua cegueira. Ao chegar dentro da igreja, ajoelha-se e abre um livro para os cegos. E, enquanto ela lê, não descobre a sombra secreta, vestido de uma alva escura (um padre?). Os dedos da cega escorregam no papel (a ler) enquanto que ela murmura orações. Os seus grandes olhos abertos não podem ver a silhueta escura do Mal mergulhar uma mão fumante na pia de água benta, e assoprar as velas... Um olhar assustador aparece através da rede da janela à frente dela. A jovem retira lentamente o anel de casamento, e um fio de sangue mete-se nesse momento a correr ao longo dos seus punhos, depois um outro, entre as suas pernas. E subitamente, uma mão introduz-se na minúscula abertura du confessionário, e agarra a jovem brutalmente pelos cabelos. A jovem cega desnorteada procura com as mãos qualquer coisa para se segurar, mas já era tarde. Tudo parece virar-se na igreja, uma sombra passa sobre a face do Cristo.
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| A jovem, toda nua e atada, livrou-se finalmente da sua
mordaça pelo agressor, e forçada de se submeter as suas carícias.
E enquanto que ele a viola, o corpo da cega e a igreja são invadidos de um sangue vermelho... Depois, sozinha e nua, enrolada, estende-se então sobre todo o seu comprimento no chão ensanguentado. Enfim, lentamente endireita-se. O seu corpo está agora numa brancura deslumbrante.
Depois, com um longo vestido preto, os seus cabelos desatados, afasta-se na luz do sol, depois de ter deixado, na larga poça de sangue, o anel de casamento... |
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