VÍDEO : DESENCHANTEE (Desencatada)

DURAÇÃO : 10m10

 

Este vídeo de Mylène Farmer apareceu em 1991.

Este vídeo assinala o regresso de Mylène, depois do silêncio que tinha seguido ao seu primeira e triunfante concerto (1989).

Aqui ela exprime nesta canção todas as suas desilusões e esperanças vãs.

O vídeo ilustra magnificamente o tema da canção. Mylène, levando a revolta, na conquista de uma liberdade sonhada, de uma inocência perdida, reencontra-se, com todos os seus companheiros de sofrimento, diante o espaço vazio, esse espaço onde a gente luta e contra o qual não podemos nada.   

 

 

 

A história : Europa de Leste, um acampamento de trabalho para crianças e adolescentes, perdido ao meio de um deserto estendido e gelado.

Uma jovem, nova recém-chegada, é arrastada pelos guardas até ao meio do pátio. Ela encontra-se diante umas dezenas de faces magoadas de prisioneiros silenciosos que estão a vê-la duramente. De repente, um deles apanha às mãos-cheias neve e brita, e a atira na jovem. Pouco depois, neve, pedras e pontapés na direcção da jovem... Os jovens prisioneiros acabam por se espalhar, deixando-a sozinha e partida, e para acabar roubando-lhe o boné.

Os guardas pegam então nela, e arrastam-na até ao dormitório, sujo e escuro. Aí, ao meio dos corpos adormecidos e misturados, está um garoto assentado em cima de uma das camas que olha para ela. A jovem assenta-se ao pé dele, e partilham um cigarro, sem uma palavra, no silêncio da noite.

No dia seguinte, o trabalho começa : sacos pesados para acarretar sobre muitos quilómetros, sem uma fraqueza, com medo de levar pancadas e torturas. De repente, o garoto que tinha simpatizado com a jovem (Mylène), cai. Os guardas arrastam-no , enquanto que os outros prisioneiros impotentes continuam o trabalho forçado.

Na hora da refeição, cada um estende a sua gamela sucessivamente afim de receber, unicamente comida sendo um infame líquido. Sentada, a jovem cruza o olhar do garoto, a sua face inchada. De repente, ela cuspe com um ar de repugnância a barata que estava a nadar na sua gamela. O seu vizinho, esfomeado, tira-lhe das mãos e o engole.

A jovem deita fora o resto do líquido, e aproxima-se com um ar de desabafo para uns dos guardas afim que ele a serve de novo. Todos os olhares são voltados para ela. O guarda, diante de tanta audácia, bate-lhe violamente na cara. Então a jovem revoltada, atravessa a sala subindo nas mesas, batendo nas lâmpadas sujas. Pouco depois, os outros prisioneiros rejeitam por sua vez a sua gamela, batem nas mesas, e rapidamente os guardas incapazes de parar o tumulto.

 

Partindo as mesas e as janelas, os garotos e os adolescentes estão num turbilhão furioso, incendiando tudo o que lhes aparecem à frente, comandados pela jovem revoltada e pelo garoto com a face ferida. Quando tudo está incendiado e todos os guardas caídos no chão, a jovem pega na metralhadora que tinha o garoto, agarra a sua mão, e o leva para o exterior do acampamento, para a liberdade...

Seguidos por todo o grupo de prisioneiros, descem a correr uma rampa coberto de neve. E o que eles vêem à frente, essa liberdade precisamente conquistada é só uma planície coberto de neve. Então cada um em silêncio, metem-se a andar sobre a imensa planície sem vida... 

 

 

 

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